O MENTIROSO E O BERBIGÃO
Apanhado a mentir,
Logo o valente intrujão,
Desatava, então, a rir
Com seu ar de figurão.
Escusado será dizer
Que, em abono da verdade,
Seria capaz de morrer
A rir com ou sem vontade.
Como qualquer safardana
Teme lá ele o chilindró?
Mesmo levado de cana
Nunca dá ponto sem nó.
Por assim ser, faz de conta
Que aldrabar é seu fado,
Que tanto mente o que aponta,
Como o que é apontado.
Não diz o ditado, afinal,
Que mentiroso e berbigão
São orgulho nacional
E, quanto maiores, melhor são?
QUANDO NÓ SE FAZ PIOLHO
Andava um rifão à vida,
Na Feira dos Vinte e Sete,
Quando uma dama perdida
O tomou por um valete.
Prazer em vê-la, por certo,
Teve ele na ocasião,
Não tanto por a ver de perto
Mas por tê-la ali à mão.
Não manda boca soprar
Quem ousa dizer o que sente,
Nem o guloso desejar
Trocar o frio pelo quente.
Se o rei é mouco, não queira,
Seus porcos querer guardar,
Apesar de ter maneira,
De fazer a lei mudar.
Nada, pois, de mão-beijada
P’rò que anda mal do olho,
Inda que só por piada
De cada nó faça piolho.
Andava um rifão à vida,
Na Feira dos Vinte e Sete,
Quando uma dama perdida
O tomou por um valete.
Prazer em vê-la, por certo,
Teve ele na ocasião,
Não tanto por a ver de perto
Mas por tê-la ali à mão.
Não manda boca soprar
Quem ousa dizer o que sente,
Nem o guloso desejar
Trocar o frio pelo quente.
Se o rei é mouco, não queira,
Seus porcos querer guardar,
Apesar de ter maneira,
De fazer a lei mudar.
Nada, pois, de mão-beijada
P’rò que anda mal do olho,
Inda que só por piada
De cada nó faça piolho.



