O amor
não é para todos, logo, o sexo é só para
alguns. Dito assim poderá parecer frio e pessimista da minha
parte, mas a frase lamentosa nem sequer é minha. E faz todo o
sentido, pois o autor sentimental deste desabafo enlouqueceu por sentir
isso mesmo numa determinada fase da sua vida.
Tinha dezasseis anos quando se apaixonou pela madrinha de baptizo, uma mulher cinquentona, solteira na maternidade e no prazer. O meu amigo louco cresceu no colo da senhora, e transportou até à idade quase adulta o conforto e o carinho que recebia sem maldade nem proibições afectivas. Depois veio a adolescência e sentiu-se desalojado das características infantis como a inocência, dotando-o de um desejo carnal por aquela que fora mais que sua mãe. O reconhecimento que o louco apaixonado fazia do amor recebido em criança por aquela mulher, desejava ele agora reabilitá-lo numa relação adulta com base no sexo. É verdade. Se antes fora a criança pura, embalada entre os seios opulentos da senhora (ou talvez aqueles seios lhe servissem de brinquedo sexual e alimentasse nela algumas perversões cautelosamente disfarçadas pelos cuidados intensivos do amor de madrinha), agora o meu amigo louco reclamava com todo o seu delírio e paixão o prazer do corpo proibido, como se fosse esse o momento em que ele teria de pagar a sua dívida emocional por ter sido tão amado em criança.

Mas a madrinha expulsou-o do seu coração, sacudiu-o do regaço perigosamente ameaçado pela ambição sexual do afilhado, como se ele representasse para ela apenas uma migalha sentimental. E de nada lhe serviu as cartas que escrevera à madrinha, revelando-se na dor do abandono e sob o efeito de uma tempestade de lágrimas, em que evocava pôr fim à vida. No entanto, nenhum contacto físico com a madrinha fora suficiente para o encorajar a envolver-se sexualmente com outra mulher, e assim virgem se conservara até ser internado num hospício, a declarar o amor infantil e complexo que sentia pela madrinha, ao colo duma mulher apática como ele, a acariciar-lhe os cabelos lisos e a oferecer-lhe os seios caídos, para que o louco como ela alimentasse as suas perversões.
Tinha dezasseis anos quando se apaixonou pela madrinha de baptizo, uma mulher cinquentona, solteira na maternidade e no prazer. O meu amigo louco cresceu no colo da senhora, e transportou até à idade quase adulta o conforto e o carinho que recebia sem maldade nem proibições afectivas. Depois veio a adolescência e sentiu-se desalojado das características infantis como a inocência, dotando-o de um desejo carnal por aquela que fora mais que sua mãe. O reconhecimento que o louco apaixonado fazia do amor recebido em criança por aquela mulher, desejava ele agora reabilitá-lo numa relação adulta com base no sexo. É verdade. Se antes fora a criança pura, embalada entre os seios opulentos da senhora (ou talvez aqueles seios lhe servissem de brinquedo sexual e alimentasse nela algumas perversões cautelosamente disfarçadas pelos cuidados intensivos do amor de madrinha), agora o meu amigo louco reclamava com todo o seu delírio e paixão o prazer do corpo proibido, como se fosse esse o momento em que ele teria de pagar a sua dívida emocional por ter sido tão amado em criança.

Mas a madrinha expulsou-o do seu coração, sacudiu-o do regaço perigosamente ameaçado pela ambição sexual do afilhado, como se ele representasse para ela apenas uma migalha sentimental. E de nada lhe serviu as cartas que escrevera à madrinha, revelando-se na dor do abandono e sob o efeito de uma tempestade de lágrimas, em que evocava pôr fim à vida. No entanto, nenhum contacto físico com a madrinha fora suficiente para o encorajar a envolver-se sexualmente com outra mulher, e assim virgem se conservara até ser internado num hospício, a declarar o amor infantil e complexo que sentia pela madrinha, ao colo duma mulher apática como ele, a acariciar-lhe os cabelos lisos e a oferecer-lhe os seios caídos, para que o louco como ela alimentasse as suas perversões.
Se
houvesse uma moral da história, penso que seria esta: nunca
leves o amor da infância para a idade adulta. Podes enlouquecer.
Aceitam-se sugestões para outras moralidades.
Aceitam-se sugestões para outras moralidades.



